quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Ao louco de água e estandarte

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Manoel de Barros morreu nesta quinta-feira, 13, aos 97 anos, em Campo Grande.

Conheci o “louco de água e estandarte” há alguns anos. Foi o poeta Riba, dono da livraria “Poeme-se”, que me apresentou. Quero dizer: me apresentou a “Gramática Expositiva do Chão” - o que é a mesma coisa. Ou não é?

Tudo ali era diferente do que eu jamais tinha lido ou visto. A natureza não era um fetiche. Uma paisagem. Mera descrição de rios, matos e pedras. Ao contrário: a natureza ali era pura linguagem. Linguagem que, transformada, adquiria outra natureza: a humana.

Os signos brotavam e se enraizavam na gente. Foi um choque. Uma descoberta, seguida de um deslumbramento. Passei a ler fervorosamente. Com Manoel de Barros, aprendi duas lições fundamentais: 

1 - “As coisas que não levam a nada têm grande importância”. 

2 – “Só quem está em estado de palavra pode enxergar as coisas sem feitio”.

Manoel de Barros aboliu definitivamente a distinção entre o homem, as palavras e as coisas 
 
Ivandro Coêlho, professor e jornalista.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Música maranhense de luto

(Da esquerda para a direita: Marcos Cruz, Zé Lopes e Joazinho Ribeiro)

Ontem a música maranhense perdeu um grande artista. Trata-se do cantor e compositor Marcos Cruz. Tive o prazer de conhecê-lo durante os festivais de música universitária da UFMA, na década de 90.

Marco era um grande talento. Tinha uma visão crítica aguçada sobre cultura maranhense, principalmente sobre os rumos que a nossa música precisava tomar. 

É autor de sucessos como “Bangladesh”, consagrada na excelente interpretação de Mano Borges, além de “Moderna Mocidade”, “Negro”, “Flores artificiais” e muitas outras. 

Sempre que o encontrava, trocávamos ideias sobre músicas e projetos. Alguns desses projetos nunca chegaram a se concretizar, por conta da vida pessoal de cada um. 

Mas uma coisa a gente conseguiu fazer juntos: compomos a canção “Beijo Virtual”, que depois foi gravada pelo cantor chapadinhense Casa Grande, em seu primeiro disco. 

Ivandro Coêlho, professor e jornalista. 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Os cinco anos de Beatriz

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Por: Cleuma Almeida, mãe de Beatriz

“... e assim, parece, o seu semblante inspira um delicado espírito de amor que vai dizendo ao coração suspira” (Soneto "Vida Nova", de Dante, cultuando Beatriz)

Parece que foi ontem que nós, muito ansiosos, fomos recebê-la. Digo nós porque, além de mim e do pai, estavam lá também tios, avós e Cia - todos para esperar a pequena Beatriz. E ela, como veio? Veio linda (quem estava lá não nega!). Mas o bebê cresceu. Cresceu e apareceu. Hoje é uma pequena falante, que interage com tudo e com todos. Há quem diga que será uma boa política. Ela, porém, diz que será artista. E que artista!? Sempre decorando nossa casa e nossos corações. Eu às vezes penso que será uma escritora, não só pelo gosto pela leitura e pela escrita, mas por seu raciocínio rápido, lógico. E também pelas intervenções criativas (Mariana que o diga...rsrs).

Mas o que eu quero mesmo é que ela seja uma pessoa feliz e resolvida. Uma pessoa que se ame e saiba amar. Não é à toa que seu nome é BEATRIZ - aquela que traz felicidade (e como traz!). Meu coração é testemunha. Ela é uma criança feliz e amada que tem, lógico, seus chiliques de infância, pois não é um boneco de vitrine, muito menos uma cativa que diz amém a tudo que lhe proponho ou imponho. Beatriz é seria e criativa, interativa e educada, zangada e feliz, amorosa e durona, gentil e forte, sorridente e observadora, firme e moleque. Ela é nosso estágio de encantamento no terreno das emoções. A menina feliz é fruto dos laços de afetos, do bom humor e do carinho construídos, vividos e revividos nesses cinco anos. E isso nós não delegamos nem à escola, nem à psicóloga, nem aos parentes. Aqui em casa a gente leva muito a sério essa coisa de ser criança.

Quando descobri esse bebê dentro de mim, pensei nas limitações que um filho me traria, e me enganei redondamente. Quando Beatriz nasceu, eu também nasci, embora não tenha sido fácil esse renascimento. Mas à medida que brotava em um só tempo mãe e filha, o mundo ficava mais lindo, maior e mais de cheio de oportunidades, e a vida cheia de expectativas. Quando pensei que não teria mais tempo pra ler, foi o tempo que mais li; quando pensei que não teria mais tempo para aprender, foi o tempo que mais aprendi; quando pensei que não poderia mais viajar, foi o tempo que mais viajei. Profissionalmente dei um salto considerável. 

Mas o mais maravilhoso foi o crescimento humano. O exercício do afeto. Engraçado isso, acho que nunca tinha sentido tanto amor. Era tanto amor que parecia não caber em mim, não me cansava - e não me canso! - de olhar para a bela Beatriz. Às vezes fico tentando decifrá-la, não defini-la, como bem diz Chico Buarque sobre a sua musa Beatriz, (música que inspirou o nome de nossa bela): “será o que ela é?, o que ela será?”. Não sabemos ainda totalmente - muita coisa há de mudar, com certeza... -, mas sabemos que ela também, como na música, nos ensina de vez em quando a tirar os pés do chão e a ser feliz.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Vida acadêmica

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Viver novamente a atmosfera da academia é sempre uma experiência fascinante. Ao mesmo tempo, trata-se de uma tarefa árdua, que exige obstinação e certa dose de humildade por parte de quem se aventura. É preciso estar com o espírito livre de velhos preconceitos. A mente aberta para o reencontro nem sempre harmonioso com o diferente. 

Nesse percurso, a consciência das minhas próprias limitações intelectuais é a única certeza. Para mim, nunca esse fato foi tão evidente quanto agora. Mas o horizonte que se abre e a possibilidade de interagir com o novo valem o sacrifício. Sim: estou aprendendo novamente. Ou, como dizem os pedagogos, “aprendendo a aprender”. Significa ver com outros olhos e por outros ângulos coisas que até então ignorava. Eis o sentido da reeducação.

Esta semana tive um momento especial desse aprendizado durante a defesa de dissertação de uma amiga, Renata Figueiredo - um trabalho denso em que ela propõe um diálogo entre a arte e o imaginário a partir do estudo das narrativas (contos, lendas e fábulas) de professoras de uma escola pública de São Luís. A banca foi composta pelo professor e orientador João de Deus, pela professora Lélia e pelo teatrólogo Tácito Borralho. 

Renata discorreu cerca de quarenta minutos sobre o tema de sua pesquisa demonstrando segurança e absoluto domínio de conteúdo. Seu referencial teórico incluía, entre outros autores, Gilbert Duran, Gaston Bachelard e Eliana Atihé. O resultado foi que, depois da excelente apresentação, a banca a cobriu de merecidos elogios, e recomendou a publicação de seu trabalho.

A partir de agora, Renata Figueiredo, que também trabalha com teatro, é mestre em educação. Mestre no ofício ensinar e aprender. E está pronta para trilhar voos maiores, incluindo, quem sabe, o doutorado. A mim, que ainda estou dando os primeiros passos nessa longa caminhada, só resta parabenizá-la. E registrar aqui a minha satisfação em ter participado de sua pequena-grande vitória. 

E o prazer de fazer parte do mestrado em educação da Universidade Federal do Maranhão – UFMA. 
Ivandro Coêlho, professsor e jornalista.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Governar é preciso; viver não...


Por: Almir Moreira, advogado.

Governar município cuja renda depende basicamente das transferências obrigatórias repassadas pela União e das benesses oriundas dos governos estaduais não é fácil. E essa situação complica ainda mais quando faltam planejamento e gente em postos de direção capacitada politicamente para defesa do governo e de suas políticas. 


Governante que é governante governa com quem pode lhe proteger e ajudar na formulação das políticas a serem implementadas. Governo não é confraria. Só um exemplo para ilustrar, e que exemplo!, Lula, quando presidente, emplacou na direção do Banco Central nada mais nada menos do que Henrique Meireles, ilustre membro do PSDB; na época, para quem imagina governo como um time de futebol, foi uma verdadeira heresia. 

Dificulta ainda mais a governança o enraizado na nossa cultura política, quando da época eleitoral os candidatos à cata de votos agem como verdadeiros “Messias”. Passam uma mensagem personalista, cultivando a velha prática demagógica cimentada por uma legislação eleitoral excludente e antidemocrática: votem em mim, resolvo tudo. Nas campanhas, têm solução para todos os problemas. Essa postura, repita-se, fruto da lei eleitoral, termina por contribuir para formar um pensamento dominante na sociedade: a insuficiência de recursos não é obstáculo intransponível no caminho para melhorias ou mesmo para a propalada igualdade social. Ambos os lados, maus governantes e povo, perdem a mínima inteligência e não percebem que a tal reivindicação de melhorias e igualdade ao bel-prazer, sem planejamento, organização e uso da verdade e da razão não pode se concretizar diante justamente da falta de recursos – dinheiro não brota do céu. Ambos, incoscientemente ou por demagogia, também por outros motivos tangentes à ordem jurídica, da qual sequer se dão conta, vêm ainda SUCUMBIR suas pretensões diante da pesada mão da União na má distribuição dos tributos, nas regulações excessivas e na coerção sindical. Sindicatos gritam por direitos como se eles brotassem de olhos d’águas, políticos oriundos desse sistema se firmam nas promessas mais mirabolantes e o povo, ah, o povo não foge à regra, espera sereno pelo Estado babá, joga tudo nas contas dos governantes. É este o caldo cultural de nossa política. 

Para esse pensamento, se o preço das “conquistas sociais” é a bancarrota material, a dissolução de valores, o aluimento da moralidade, a deformação do indivíduo, a demolição de toda meritocracia ou a morte dos desejos pessoais, certamente esse preço está disposto a pagar.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Pesquisa analisa aspectos da literatura impressa e digital brasileira contemporânea


Dos e-books aos impressos com temática eletrônica: as crianças e jovens brasileiros têm atualmente à sua disposição uma grande variedade de livros que estabelecem uma conexão entre as linguagens literária e virtual, seguindo as mudanças mundiais que incluem a criação - literária e não literária - em ambientes digitais.

Que dimensões artísticas e computacionais estão sendo exploradas para a configuração desse novo objeto cultural direcionada para a infância e a juventude brasileira? A conjugação dessas dimensões tem possibilitado a produção de narrativas e poesias que resultam numa ampliação da experiência estética desses leitores em formação?

São questões como essas que o professor Diógenes Buenos Aires de Carvalho, da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA pretende responder a partir do mapeamento e análise da produção literária infanto-juvenil brasileira contemporânea. Segundo ele, o diálogo entre a cultura impressa e a cibercultura nessa área ocorre do "oral ao virtual” e “do virtual ao impresso”.

"Desvendar esses dois caminhos é muito vantajoso para a investigação científica, pois possibilita a compreensão da natureza híbrida do processo da criação literária para crianças e jovens no entrecruzar da cultura impressa e da cibercultura, além dos mecanismos estéticos, estilísticos e cibernéticos que envolvem essa produção cultural", defendeu o pesquisador.

Diógenes Aires afirmou ainda que a pesquisa pode revelar os "novos protocolos de leitura que surgem e que o leitor em formação deve dominar a fim de que o ato de ler se transforme numa experiência estética".

O projeto do professor Diógenes envolve quatro etapas: na primeira, os pesquisadores farão a leitura e a discussão dos pressupostos teóricos da pesquisa. Na segunda, o mapeamento da produção literária infanto-juvenil brasileira contemporânea, que dialoga com a tecnologia nos suportes impressos e/ou virtuais. Na terceira etapa da pesquisa, será feita a seleção das obras literárias impressas. Por último, a equipe escolherá e-books literários hipertextuais/hipermidiáticas para crianças e jovens.

A pesquisa "A Literatura Brasileira Contemporânea: Entre o Impresso e o Virtual" é apoiada pela Fapema, por meio do Edital Universal (Nº 30/2010), e conta com a participação da professora Vera Teixeira de Aguiar, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), além de alunos do curso de letras da UEMA, em Caxias.
Ivandro Coêlho, professor e jornalista.

(Este texto também foi publicado no site da Fapema)

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Pesquisa busca monitoramento e conservação de pequenos mamíferos na região de Chapadinha


Investigar características das populações de pequenos mamíferos do cerrado Maranhense, tais como tamanho populacional, estrutura etária, padrão de movimentação e carga parasitária. Esse é o foco central de uma pesquisa coordenada pela professora Dra. Fernanda Rodrigues Fernandes, da Universidade Federal do Maranhão - Campus de São Bernardo, e que conta com o apoio da FAPEMA.

O estudo teve início em agosto de 2012 numa área de cerrado de 700 hectares da Fazenda Macajuba, localizada no município de Chapadinha, a 250 km de São Luís-MA.

Outro professor, Leonardo Dominici Cruz, também auxilia nas atividades de campo, processamento e análise de dados da pesquisa, juntamente com alunos de graduação e pós-graduação dos campi de São Luís e São Bernardo.

De acordo com a professora Fernanda Rodrigues, as informações coletadas vão servir para orientar ações visando ao manejo e à conservação de pequenos mamíferos do cerrado, em especial marsupiais e roedores.

“Esse monitoramento possibilita a observação de possíveis alterações nas características ecológicas e de história de vida entre diferentes populações de uma espécie, bem como a necessidade de manejo e conservação de populações com risco de extinção”, explicou pesquisadora.

Além dos dados sobre padrões da ecologia populacional, dieta, área de vida e parasitismo das espécies, os pesquisadores irão investigar se fatores como sazonalidade, densidade populacional e carga parasitária influenciam na dinâmica demográfica das populações.

Também querem saber se tamanho médio tamanho corporal, sexo e sazonalidade contribuem significativamente para a variação no tamanho da área de vida.

“Muitas questões podem ser respondidas através de estudos de longo prazo sobre as populações, interações entre as espécies e seu ambiente, bem como sobre as relações de parasitismo”, disse Fernanda Rodrigues.

Ivandro Coêlho, professor e jornalista.

(Texto também publicado no site da Fapema)

segunda-feira, 14 de julho de 2014

V Seminário Arte e Imaginário na Educação

 
SÃO LUÍS - Será realizado entre os dias 6 e 8 do próximo mês, no Auditório da Biblioteca Setorial da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o V Seminário sobre Arte e Imaginário na Educação, organizado pelo Grupo de Pesquisa Arte, Cultura e Imaginário na Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMA – GSACI/PPGE, cujo objetivo é discutir os paradigmas emergentes em cultura e educação, pretendendo igualmente refletir sobre a arte como poderoso mediador simbólico, o qual, com imagens, estimula a recriar e projetar no mundo e o prepara para retomar o viver em comunidade, do qual confere significado enquanto indivíduos, ancorando no passado, ajudando a viver o presente em plenitude e dirigindo para um futuro melhor. O encontro tem como público pesquisadores e docentes de arte, filosofia e letras e de todos os interessados na áreas do saber. Para estudantes o investimento é de R$ 15 já para profissionais, R$ 30. A ficha pode ser obtida no site do mestrado em educação.

O evento está dividido em quatro eixos: Arte e Alma Brasileira, que, por sua vez, inclui todos os trabalhos sobre especificidades de cada lugar; Pesquisa em Imaginário e Educação da Alma; Educação e Espiritualidade e, por último, Escola e a Educação da Alma (com Palestras, Mesas-redondas, Oficinas e Mini-cursos). Segundo o professor e coordenador do evento, João de Deus, o encontro propõe mostrar para a sociedade que é possível criar uma educação para o reencantamento do mundo em que haja equilíbrio entre a razão e a emoção.

Ele disse ainda que o seminário está voltado para paradigmas emergentes em cultura e educação, pretendendo discutir como e por quais razões a escola tem evitado debater e incluir, em seus currículos e programas, as possiblidades de uma educação do cultivo da alma, impedindo assim a humanização plena daqules a quem cabe a ela informar.

Na abertura, o evento contará com tema: "Culto, Cultivo, Cultura, o paradigma da alma e uma educação e reencatamento do mundo", apresentada pela professora Eliana Brage Aloia Atihé, de Ateliê Ocuili, de São Paulo. No segundo dia será realizada uma mesa-redonda com o tema “Arte e Alma Maranhense” que, por sua vez, contará com a presença do compositor Maranhense, Joãozinho Ribeiro, declamação de poesia, com Ailton Santos Silva, e apresentação de teatro com o professor e diretor teatral Luis Pazzini.

No último dia, o evento encerrará com a palestra do professor de Teologia e Ciência da Religião da Universidade de Laval (Canadá), Ângelo Cardeta, que abordará sobre a importância da hermenêutica simbólica no contexto social.

Mais informações envie um e-mail para gsaciufma@gmail.com ou pelo telefone (98) 3272-8660.
 
(Fonte - site UFMA)