terça-feira, 18 de agosto de 2015

'Segundo semestre letivo da UFMA está comprometido', diz Natalino Salgado



De: "O Imparcial"

Ufma

O segundo semestre letivo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) está ameaçado este ano. A situação foi declarada pelo atual reitor da instituição, Natalino Salgado, que alega falta de orçamento para manter a estrutura física da Universidade. Caso o local deixe de funcionar, serão oito campi, com mais de 25 mil alunos, entre inscritos na graduação, mestrado e doutorado, diretamente afetados. De acordo com informações da assessoria da Universidade, o impacto no corte de orçamento, pelo governo federal, é no valor de R$ 28 milhões dos 40 milhões em verbas destinadas ao ensino superior maranhense. Os dados alarmantes foram levados ao conhecimento da bancada maranhense esta semana. O intuito, segundo Natalino, é mobilizar os deputados federais para pressionar o governo a liberar o que falta em verbas.
“A falta de repasses produzirá danos em todos os setores da instituição, afetando desde a mão de obra terceirizada, infraestrutura, restaurante universitário, assistência estudantil, passando pelas atividades de pesquisa, de extensão e programas especiais. A primeira consequência foi a demissão de 140 trabalhadores terceirizados. O início do segundo semestre letivo também está comprometido”, justificou o reitor em reunião com os parlamentares.
Natalino informou ainda que, considerando R$ 34.933,285 não recebidos em 2014 e o corte de 50% do valor do investimento previsto na LOA para este ano, de R$ 43.238,435, o déficit acumulado chega a R$ 109.4185.651,14. Do total previsto para despesas de funcionamento (verba de custeio) em 2015, a UFMA ainda não recebeu R$ 6.874.975,70, valor insuficiente para cobrir seus gastos, revelando um déficit superior a R$ 17 milhões.
Dos recursos para investimento também ainda faltam ser repassados nove milhões de reais, fora R$ 18 milhões de emendas parlamentares incluídos no orçamento. Ele disse que algumas universidades não têm mais dinheiro para se manter em funcionamento já a partir de setembro.
Procurado sobre o assunto, o Ministério da Educação, por meio de nota, comunicou à re-portagem que o valor aprovado na LOA para 2015 foi de R$ 9,5 bilhões e as instituições estão recebendo normalmente. “O que aconteceu, no entanto, foi um corte de R$ 1,9 bilhão por conta do corte de R$ 9,2 bilhão anunciado em maio”, disse.
Ainda de acordo com o MEC, o secretário de educação superior do órgão, Jesualdo Farias, se reuniu com todos os reitores das federais para debater as prioridades orçamentárias para cada unidade. Mas “cada instituição tem autonomia de gestão. Ou seja, a instituição precisa definir onde e como irá cortar. O governo federal já afirmou que não faltarão recursos para custeio das universidades”, explica.
O secretário defendeu ainda um redimensionamento das obras, por exemplo. “Vale ressaltar que as instituições federais têm autonomia administrativa e financeira. Ou seja, eles recebem o orçamento e deve administrar esse valor. O MEC faz o planejamento orçamentário em conjunto com a instituição”, finaliza.
Coordenador da bancada maranhense, o deputado federal Pedro Fernandes prometeu união em prol da Universidade e esforços na não penalização da instituição. Já o senador Roberto Rocha considerou o atual cenário grave e se colocou à disposição para lutar no Congresso pela liberação de verbas para a UFMA. “Vamos trabalhar para que o governo libere os recursos previstos no orçamento da Universidade, de modo que não haja prejuízos para a sociedade e as atividades sigam dentro da normalidade”, enfatizou.
Situação repercute no Legislativo estadual
A situação alegada pela reitoria da UFMA à bancada maranhense repercutiu na sessão plenária, de ontem, dia 17, da Assembleia Legislativa do Maranhão. Alarmados, alguns deputados da Casa comentaram o fato em tribuna.
Para o deputado estadual Roberto Costa (PMDB), caso a UFMA venha a fechar suas portas, “será vergonhoso nacionalmente”. O parlamentar afirmou ainda que enviará ofício à bancada maranhense, em nome da Assembleia, para que os deputados pressionem o governo federal para que libere os recursos.
“Nossa bancada maranhense deve pressionar o MEC. Não podemos deixar que o futuro e o desenvolvimento do estado sejam comprometidos, ainda mais em um momento em que o curso de medicina foi recentemente criado no campus Imperatriz, cidade que precisa muito de novos profissionais desta área”, comentou. Os deputados Professor Marco Aurélio (PCdoB) e Wellington do Curso (PPS) também se mostraram sensibilizados com a situação.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Nair Portela vence consulta prévia para reitor da UFMA


SÃO LUÍS – Com mais de 50% dos votos apurados, a candidata Nair Portela Silva Coutinho, vence a consulta prévia para a reitoria da Universidade Federal do Maranhão, realizada nesta quarta-feira (27). Nair será a primeira mulher a ocupar o cargo máximo da Instituição. Já o candidato a vice-reitor, Fernando Carvalho Silva, vence a consulta com 57,21% dos votos.
Segundo a Presidente da Comissão Coordenadora da Consulta Prévia à Comunidade Universitária, Elisa Lago, esta é apenas uma parcial. “Ainda faltam nove municípios onde funcionam os cursos do PROEB. Estamos aguardando as urnas chegarem para darmos continuidade a apuração”, explicou.
A consulta prévia foi realizada das 8h às 21h30, em todos os centros (CCH, CCSo, CCET, CCBS, HUUFMA – Unidades Presidente Dutra e Materno Infantil, Ceb Velho, Colégio Universitário, Núcleo de Esportes, Odontologia, Farmácia, Faculdade Medicina – antigo Ila, onde votam os servidores do Cristo Rei, Saúde Pública e DAC, Paulo Freire – curso de Enfermagem, Ciências Biológicas e Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia, Prefeitura de Campus, além dos Campus de Bacabal, Balsas, Chapadinha, Codó, Grajaú, Imperatriz, Pinheiro e São Bernardo).
Para Nair Portela esse é um momento de grande satisfação, uma vez que este é o resultado de um trabalho coletivo onde as pessoas contribuíram fortemente, cada qual com sua experiência, com sua colaboração efetiva para que chegassem a esse final tão feliz. “Estou muito satisfeita porque nós conseguimos tudo aquilo que foi planejado com muito carinho e cuidado e muita competência, para que possamos dar continuidade no trabalho maravilhoso que foi feito nessa gestão, para que a gente possa avançar e atender realmente à necessidade do nosso estado com uma formação qualificada dos nossos alunos, tanto da graduação quanto da pós-graduação. Essa é uma festa da democracia”, comemorou.
Ela falou ainda sobre o fato de ser a primeira reitora na história da Universidade. “É uma questão histórica o fato de eu ser a primeira mulher a assumir a instância máxima da Universidade, justamente quando a Universidade fará, no próximo ano, 50 anos e eu serei, portanto, a primeira reitora da Universidade Federal do Maranhão. Muito me honra e eu fico muito comovida”, conclui.
O resultado definitivo será informado para o reitor, e até o dia 5 de junho o processo com todo o material da consulta será encaminhado ao presidente do conselho para que seja designada a data da reunião do Colegiado Especial Eleitoral, onde será elaborada a lista tríplice para escolha do novo Reitor, que será encaminhada ao Ministro, com vistas aos procedimentos de nomeação e posse. Todo esse procedimento tem um prazo de 60 dias antes do término do mandato do atual reitor.
Serão apresentados no Colegiado Eleitoral Especial os nomes dos candidatos mais votados e lá eles decidirão de que forma a lista tríplice vai ser composta, que pode ser com o nome dos candidatos escolhidos, assim como o nome de outros membros do conselho que não foram candidatos. Esta é uma deliberação a ser feita no conselho.
CARGO DE REITOR
CANDIDATO
TOTAL DE VOTOS PONDERADOS
Nair Portela Silva Coutinho
51,64%
Antonio Gonçalves Filho
33,61%
Antonio José Silva Oliveira
9,31%
Sofiane Ben El Hedi Labidi
3,54

CARGO DE VICE-REITOR
CANDIDATO
TOTAL DE VOTOS PONDERADOS
Fernando Carvalho Silva
57,21%
Marise Marçalina de Castro Silva Rosa
38,07%


Fonte: Ascom UFMA

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Estudo avalia tipos de tratamento que devem ser realizados após o clareamento dental

Muitas pessoas insatisfeitas com a cor dos dentes recorrem ao clareamento para tentar melhorar a aparência e trazer beleza ao sorriso. Mas a durabilidade do clareamento dental depende em parte de hábitos alimentares, de higiene e da assiduidade do paciente ao consultório.

Não fumar, não tomar café, vinho tinto, suco de uva, chás escuros ou refrigerantes à base de cola (Coca/Pepsi), nem ingerir alimentos com pigmentos fortes como o açaí, molho de tomate e a beterraba são algumas das recomendações dadas por especialistas.

Mesmo assim, se não for aplicado nenhum produto após a realização do tratamento, os dentes podem manchar de novo e rapidamente. É o que diz uma pesquisa coordenada pela professora Andréa Dias Neves Lago, da Universidade Federal do Maranhão.

Durante o estudo, foram avaliados os tipos de tratamento que devem ser realizados após o clareamento dental. Para isso, os pesquisadores testaram vários produtos com o objetivo de encontrar o que melhor previne o manchamento dos dentes após o tratamento.

“Pelos resultados obtidos, poderemos aprofundar os estudos sobre dois materiais promissores que têm a função de remineralizar a estrutura dental e utilizá-los também para tratar lesões iniciais de cárie. Um desses produtos é extraído da proteína do leite e o outro é constituído por material semelhante ao mineral presente nos dentes”, explicou Andrea.

A pesquisa foi desenvolvida na UFMA pela aluna de iniciação científica Andréa Roberta Nunes e conta com o apoio da Fapema. “Estamos na fase de confecção do relatório final e do artigo científico”, declarou Andrea.

Andréa Dias Neves Lago é doutora em dentística pela FOUSP e trabalha com o tema do clareamento desde 2007, quando iniciou o mestrado. Foi professora substituta de Dentística na UFMG e atualmente é professora adjunta dessa disciplina na UFMA. Desenvolve pesquisas na área de clareamento, agentes remineralizadores, manchamento e laser.

Ivandro Coêlho, professor e jornalista.

domingo, 10 de maio de 2015

O nosso direito de ser mãe

Desenhos: Beatriz Almeida Coêlho 

Por: Cleuma Almeida

Às vezes o que eu penso é que muitas mães, assim como uma que conheço bem, estão mesmo é fartas dessas frases batidas, desses clichês típicos do dia das mães, que servem mais para vender as roupas e os produtos de certas lojas - Marisa e Le Biscuit, por exemplo -  do que para definir e homenagear as mulheres que são mães.

O que tenho visto no dia a dia, durante todo o ano, depois do segundo domingo de maio e até mesmo nesse dia, são mães sendo desrespeitadas, inclusive no direito de dar à luz. Vejo mães que voltam para seu trabalho e delas são exigidas a mesma produção e dedicação de antes, e mães que nem sequer têm o direito de voltar pro seu antigo lugar de trabalho (sem falar nas que foram demitidas porque se tornaram mães). Todos os dias vejo as especificidades da condição de ser mãe sendo desrespeitadas, inclusive por outras mulheres - mães ou não. Mas nem Paulo Freire, nem Saramago e nem Bauman erraram quando disseram que o sujeito explorado esquece que já foi oprimido, e seu desejo de ocupar o lugar do opressor para obter justiça, mas a sua justiça, acaba perpetuando a injustiça.

Vejo mães mendigando – porque se gritar é pior, afinal “manda quem pode e obedece quem tem juízo”- compreensão para sua especificidade de mãe; mendigando aquilo que futuramente se tornará um direito: o direito das mães poderem ser mães de fato e não só na nomenclatura. Às vezes alguns me dizem que reclamo de barriga cheia. Mas será que as mães, sobretudo de bebês, podem ser tratadas da mesma forma de quem não esteja nas mesmas condições que elas?

Olho, vivo e não compreendo. Não concordo como as mães são, de fato, tratadas, descritas. Infelizmente não tenho feito muita coisa para mudar isso (nem sei se posso!). Como toda mãe, me encontro imersa na praticidade do dia a dia. “Não fazemos sem protestar o que os outros querem, como fazem as abelhas, mas é preciso nos convencerem e muitas vezes nos obrigam a desempenhar o papel que a sociedade nos atribui”, diz Saavedra.

E qual o papel da mulher na sociedade moderna? Substancialmente, me parece que é produzir. Nesse caso, como ficam a educação e a humanização dos filhos? Terceirizadas, ora bolas! Sim, porque terceirizando você estará contribuindo ainda mais para a produção. Conheço mães que passam o dia fora de casa, trabalhando, e, quando chegam em casa, os filhos já estão dormindo. E aí, como fica aquilo que nos alerta livro Sobre o Valor de Educar? Ou seja, a ideia de que “a possibilidade de ser humano só se realiza efetivamente por meio dos outros, dos semelhantes, ou seja, daqueles com os quais a criança, em seguida, fará todo o possível para parecer”? 

Talvez os caminhos que a nossa sociedade tem nos colocado para trilhar expliquem a fragilização das mães diante dos filhos, que mais parecem pequenos tiranos. Talvez isso explique essa castração, essa falta de algo que elas teimam em preencher com objetos, Não que não sejamos seres que não devam viver essa experiência da castração, da perda, da natureza infindável do desejo, que não tem como se satisfazer, como diz Speller. Mas a questão é a maneira como nós estamos direcionando essas experiências junto aos nossos filhos, como estamos preparando nossos filhos para lidar com suas angústias, dificuldades, sofreres e imperfeições - suas e dos outros. 


“A infância é o chão sobre o qual caminharemos o resto de nossos dias... o amor primeiro, aquele entre pais e filhos, vai influenciar nossa expectativa de todos os amores que teremos”, diz Lya Luft. Diante disso, não sei como uma sociedade que a cada dia desvaloriza o papel social da mãe para a construção de um mundo mais humano e mais saudável pode vir hoje e me desejar um feliz dias das mães!

Muito obrigada! Fique com suas frases publicitárias e seus lugares comuns. Desejo apenas que considere minhas necessidades de mãe.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Jorge Passinho e Os Cannibais


“O passaporte para o embarque nessa viagem sonora é o bom humor e disposição para ouvir boa música, em frente e verso, com uma boa dose de irreverencia e sátira a essa cultura ‘kitsch’ em que se encontra hoje a indústria cultural brasileira”. (Foto: da esquerda para a direita, Maninho, Jorge Passinho e Ivandro Coêlho) 


Vem aí mais uma edição do show "Pior Impossível", com Jorge Passinho e os Cannibais. Desta vez a festa vai ser no dia 06 de maio, no bar Salomé, Lagoa. No ano passado, a estreia de Passinho no restaurante "Seu Guma", Renascença, foi sucesso de público e crítica. Também estive lá e curti muito. Este ano vou participar novamente. Veja abaixo as informações sobre o show:



As músicas, um total de 20 canções que compõem o setlist, foram escolhidas dentre mais de 100 composições. E as influências são as mais variadas. De Waldick Soriano, Reginaldo Rossi, Raimundo Soldado, Zeca Baleiro, Bob Dylan, Santacruz, Ednardo, Fagner, até os ritmos populares maranhenses como tambor de crioula, bumba meu boi.


Normalmente o show de Jorge Passinho é individual, mas para esse show com um grande público ele resolveu convidar amigos, músicos mais próximos dele para dar esse start na carreira musical. A cantora Marcia Torres, Ivandro Coêlho e Carvalho Marques já estão confirmados. A banda é formada por Maninho Quadros (arranjos e guitarras), Ed Cândido (arranjos e guitarras, Rodrigo Nascimento (Baixo), Ricardo Sá (teclados), Ubiraci Nascimento (baixo e vocais) e Leo Batera (bateria).

A ideia é fazer um show aconchegante, mas divertido ao mesmo tempo. Por isso, não haverá apenas música. Poesia, estética e comunicação visual compõem o formato da apresentação de Jorge. Ele recitará alguns poemas seus entre um bloco e outro do show. As poesias Homem Moderno, Canibal e MPB Mix que serão recitadas fazem parte do livro "Menu para desjejum sem colesterol", lançado no ano passado e que estará à venda no local.

(fonte idifusora.com.br).

terça-feira, 21 de abril de 2015

Padre Neves: o eterno missionário!


Vai demorar muito tempo - talvez séculos! - para que Chapadinha tenha a dimensão exata do imenso vazio espiritual, político e moral que a partida do maior líder religioso de toda a sua história representa. Padre Manuel dos Santos Neves – ou simplesmente Padre Neves, como costumavam chamá-lo – era uma figura raríssima, dessas que surgem de tempos em tempos sobre a terra e que despertam a nossa atenção por reunirem, em si e ao mesmo tempo, todas aquelas características que nas demais pessoas só se revelam de forma isolada e em geral bastante tímida: dignidade, coragem, sabedoria, generosidade, força de caráter, humildade e fé.

Analisando a trajetória desse português nascido na Vila de Cucujães, a primeira coisa que a gente se pergunta é: o que teria feito esse homem deixar para trás parentes, amigos e uma vida certamente promissora e confortável - tudo aquilo que, como diria Mário Vargas Lhosa, a nossa "Civilização do Espetáculo" mais preza e cultua - para se embrenhar nos confins do Maranhão nos idos de 78, uma terra inóspita, marcada pela pobreza e pelo latifúndio, pela violência e pela desigualdade social? A resposta a essa pergunta quem nos dá é o próprio Padre Neves, no prefácio do livro É mesmo uma boa nova, do meu amigo Padre Pedro: "Ser missionário, deixar sua família e cultura, não é sacrifício, mortificação, renúncia... é livre preferência, alegre investimento, imensa alegria e enriquecimento humano".

Para Manuel Neves, portanto, levar a palavra de Deus a quem necessitava era uma alegria, uma forma de crescimento espiritual - não um martírio. Eis o verdadeiro espírito missionário. E foi esse espírito missionário, aliado à imensa fé cristã, que o trouxeram para nosso meio. E que o ajudaram a enfrentar com firmeza e determinação as dificuldades, as perseguições, os desafios e incompreensões que desde sempre se lhe puseram no caminho. "Fomos sujeitos a inquéritos policiais, tivemos que nos apresentar em tribunais, responder a falsas acusações nos meios de comunicação social... Mas durante todos estes trinta e seis anos, os missionários, em comunidade apostólica, aceitaram o conselho evangélico: ‘não tenhais medo dos homens’." E não tiveram mesmo!

Mas se, por um lado, a postura firme e irrenunciável a favor dos menos favorecidos e contra a exclusão social atraiu o ódio dos poderosos, por outro, fez com que Padre Neves conquistasse o coração e a alma do povo humilde das centenas de comunidades e bairros espalhados na região de Chapadinha, que viam nele mais que um simples líder religioso: na verdade, o tinham como um amigo, um irmão e – por que não dizer? - um grande pai. A prova dessa simbiose espiritual e social com a população podia ser facilmente constatada durante as festividades religiosas organizadas pela paróquia sob a liderança luminosa do Padre Neves, entre elas as procissões em homenagem à santa padroeira da cidade, Nossa Senhora das Dores, que atraíam – e ainda atraem - milhares de pessoas.

No entanto, apesar de todas essas claras demonstrações de prestígio social e religioso, Padre Neves sempre manteve a humildade, reconhecendo que a obra em prol da Igreja deveu-se menos à sua atuação individual do que ao próprio trabalho divino: "Deus foi, é e será sempre o eterno senhor e operário da messe. Nós apenas lhe damos visibilidade e, quantas vezes, com notório atraso. Quando pensamos que trazemos a iniciativa da Boa Nova, já a achamos trabalhando, em etapas de salvação, na vida do povo. Evangelizamos, mas também somos evangelizados por esse silencioso e fecundo trabalho do Espírito". Eis aqui uma lição para alguns semideuses, desse e de outros credos, que há muito deixaram em segundo plano a palavra divina para se transformar em astros pop. Pura jactância.

A contribuição de Padre Neves, porém, não se resume à revitalização e consolidação da Igreja Católica em nosso município. Seu maior legado é ter semeado entre nós os valores cristãos da solidariedade, do amor aos desamparados e do combate intransigente às injustiças – tudo isso sem aderir a particularismos ideológicos de direita ou de esquerda, a interesses de grupos políticos oficiais ou de oposição. Graças a ele, hoje sabemos que a evangelização não pode ocorrer no vácuo, longe das questões do mundo concreto dos homens. Que fé e justiça social andam de mãos dadas. E que a tarefa de levar a Boa Nova exige entrega livre, espontânea e absoluta. "Eu sou dos que pensam que na vida cristã ou se joga tudo ou não se ganha nada. Não importa o que temos. Só nos enriquece o que damos".

É por essa firmeza de convicção e pela força de caráter que sua vida se transformou num dos poucos exemplos entre nós capazes de orientar jovens e velhos na busca da verdade, do perdão e do amor divino. Jamais transigir com a injustiça ou com a hipocrisia. Jamais admitir a mentira ou a falácia. Fazer com que o povo tome as rédeas do seu próprio destino: eis os motivos por que Padre Neves lutou durante toda a vida. "Sensibilizar o povo para mudar esta situação, desenterrar e levá-lo a assumir a sua dignidade humana, formar os ambientes para o respeito ao Estado de Direito da sociedade, organizar as comunidades para uma digna participação sindical, política e social. Tudo isto, além de quebrar velhas e abusivas arbitrariedades dos políticos locais... tornou-se uma constante preocupação nossa, mexeu comigo e meus colegas".

Quem nesses dias acompanha o clamor do povo simples, as lágrimas, a comoção dos amigos mais próximos e dos colegas de trabalho, as declarações públicas – das mais sinceras às que não passam de meras formalidades – há de em algum momento, lá no fundo da sua consciência, também se perguntar: e eu, o que estou fazendo para melhorar a mim mesmo e aos que me cercam? Quando essa pergunta se fizer presente, e, principalmente, quando ela começar a se transformar em atos de fé e esperança, é sinal de que aprendemos a lição. De que as sementes plantadas pelo grande missionário já estão frutificando. Aí então teremos a certeza de que sua missão foi cumprida.
Ivandro Coêlho, professor e jornalista. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Pesquisa quer produzir pão, macarrão e biscoito enriquecidos com proteínas de pescado para introduzi-los na merenda escolar


Já pensou se as escolas públicas do Maranhão pudessem oferecer aos alunos uma alimentação mais diversificada e de melhor qualidade, composta por produtos enriquecidos com proteína de pescado? Certamente teríamos um impacto social e econômico positivo, uma vez que os estudantes teriam acesso a alimentos mais saudáveis, de fácil preparo e sem fritura.  

E se, além disso, esses produtos fossem produzidos por pequenas e micro empresas maranhenses utilizando peixes de menor porte e baixo valor comercial? Nesse caso, o impacto seria de natureza econômica, pois além de aproveitar as espécies inexploradas ou sub exploradas, o empresariado ficaria incentivado a buscar novas alternativas para a diversificação tecnológica do pescado. 

É o que pensa a professora Elaine Cristina Batista dos Santos, do curso de Engenharia de Pesca da Universidade Estadual do Maranhão–UEMA. Elaine Santos coordena um estudo que pretende extrair carne mecanicamente separada de peixe e daí obter subprodutos como macarrão, pães e biscoitos para introduzi-los na merenda escolar da rede pública de ensino. 

O projeto está em fase de conclusão, e as espécies utilizadas nos experimentos provêm da região da Raposa e de feiras livres da região metropolitana de São Luís. “Os produtos propostos já foram desenvolvidos. Agora estamos aguardando a liberação do comitê de ética para realização dos testes sensoriais”, informou a pesquisadora.

Resultados – De acordo com a pesquisadora, levando-se em consideração a composição nutricional e segurança alimentar dos produtos propostos, a pesquisa apresentou excelentes resultados, verificados por meio de análises físico-químicas e microbiológicas. O macarrão enriquecido com proteína de pescado, por exemplo, teve boa aceitação pelos alunos da UEMA. Já o pão e o biscoito tiveram 99% de aceitação. 

“A pesquisa pode garantir a boa inserção do pescado na merenda escolar, levando alimentos de fácil aceitação e preparo, além de nutricionalmente equilibrados e de consumo seguro, uma vez que não contêm espinhos ou outros componentes que geram insegurança durante a ingestão”, justificou Elaine Santos. 

A equipe coordenada pela professora Elaine Santos é composta por docentes da UEMA e do IFMA, acadêmicos do Curso de Engenharia de Pesca, Bolsistas Pibic UEMA e FAPEMA. Além disso, a pesquisa conta ainda com o apoio técnico de Bolsistas BATI/FAPEMA.
Ivandro Coêlho, professor e jornalista.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Estudo quer tornar possível o uso do bio-óleo como combustível automotivo

O Bio-óleo é uma fonte renovável de energia promissora que vem recebendo grande reconhecimento mundial por suas características combustíveis, sendo empregado em caldeiras, motores, turbinas a gás e outros ramos da indústria química. No entanto, o bio-óleo não pode ser empregado diretamente como combustível em substituição ao diesel em motores à combustão.

Essa limitação, dizem os especialistas, está associada à sua alta viscosidade, elevado nível de água e cinzas, baixo poder calorífico, instabilidade e alta corrosividade. Para que possa ser utilizado como combustível líquido ou como matéria-prima para outras aplicações, o bio-óleo precisa passar por melhoramentos. Daí a importância de estudos envolvendo esse tema, entre eles o do professor Dr.
Wendell Ferreira de La Salles, da Universidade Federal do Maranhão, e que conta com o apoio da FAPEMA por meio do Edital Universal nº 001/2014.

A pesquisa coordenada pelo professor Wendell Ferreira tem como foco principal tornar o bio-óleo obtido a partir de biomassa (especificamente aquele obtidos por pirólise) capaz de ser empregado como combustível automotivo. “Para alcançar esse objetivo, estamos apostando no uso de sistemas microemulsionados, que teriam a finalidade de promover a solubilização deste bio-óleo no óleo diesel. Na verdade, de apenas alguns constituintes presentes no bio-óleo”, explicou o professor.

Mesmo com o estudo ainda no início, os pesquisadores já conseguiram obter resultados que comprovam a viabilidade da metodologia. De acordo com Wendell Ferreira, o problema é que é preciso extrair do bio-óleo apenas os constituintes que interessam. “Não é interessante solubilizar o bio-óleo integralmente no óleo diesel, pois agindo assim traremos também os problemas associados à presença de certos constituintes que compõem o Bio-óleo”.

Há relatos na literatura de Bio-óleos que dão conta que estes foram obtidos por pirólise da biomassa com até 40% de água. Essa quantidade de água solúvel em diesel não interessa aos pesquisadores, pois isso acarretaria em uma queda no poder calorífico do combustível. Apesar das dificuldades e desafios, a pesquisa do professor Wendell Ferreira ganha cada vez mais importância nos dias atuais, em um cenário de instabilidades quanto aos combustíveis mais utilizados pelos brasileiros.

“Além de contribuir para o controle dos impactos ambientais associados ao descarte destes resíduos, o desenvolvimento de tecnologias que visem o aproveitamento de resíduos sólidos (biomassa residual) como fonte energética promove a geração indireta de energia. Uma destas possibilidades é a produção de bio-óleo por meio da pirólise rápida da biomassa”, declarou o professor.

A pesquisa conta com a participação dos professores
Kátia Simone Teixeira da Silva de La Salles, Aldaléa Lopes Brandes Marques e Edmar Pereira Marques, ambos de Departamento de Tecnologia Química da UFMA. Também atuam como colaboradores externos a professora Simoni Margareth Plentz Meneghetti, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), e o professor Alexandre Gurgel, da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
 
 
Ivandro Coêlho, professor e jornalista.