quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Pesquisa quer produzir pão, macarrão e biscoito enriquecidos com proteínas de pescado para introduzi-los na merenda escolar


Já pensou se as escolas públicas do Maranhão pudessem oferecer aos alunos uma alimentação mais diversificada e de melhor qualidade, composta por produtos enriquecidos com proteína de pescado? Certamente teríamos um impacto social e econômico positivo, uma vez que os estudantes teriam acesso a alimentos mais saudáveis, de fácil preparo e sem fritura.  

E se, além disso, esses produtos fossem produzidos por pequenas e micro empresas maranhenses utilizando peixes de menor porte e baixo valor comercial? Nesse caso, o impacto seria de natureza econômica, pois além de aproveitar as espécies inexploradas ou sub exploradas, o empresariado ficaria incentivado a buscar novas alternativas para a diversificação tecnológica do pescado. 

É o que pensa a professora Elaine Cristina Batista dos Santos, do curso de Engenharia de Pesca da Universidade Estadual do Maranhão–UEMA. Elaine Santos coordena um estudo que pretende extrair carne mecanicamente separada de peixe e daí obter subprodutos como macarrão, pães e biscoitos para introduzi-los na merenda escolar da rede pública de ensino. 

O projeto está em fase de conclusão, e as espécies utilizadas nos experimentos provêm da região da Raposa e de feiras livres da região metropolitana de São Luís. “Os produtos propostos já foram desenvolvidos. Agora estamos aguardando a liberação do comitê de ética para realização dos testes sensoriais”, informou a pesquisadora.

Resultados – De acordo com a pesquisadora, levando-se em consideração a composição nutricional e segurança alimentar dos produtos propostos, a pesquisa apresentou excelentes resultados, verificados por meio de análises físico-químicas e microbiológicas. O macarrão enriquecido com proteína de pescado, por exemplo, teve boa aceitação pelos alunos da UEMA. Já o pão e o biscoito tiveram 99% de aceitação. 

“A pesquisa pode garantir a boa inserção do pescado na merenda escolar, levando alimentos de fácil aceitação e preparo, além de nutricionalmente equilibrados e de consumo seguro, uma vez que não contêm espinhos ou outros componentes que geram insegurança durante a ingestão”, justificou Elaine Santos. 

A equipe coordenada pela professora Elaine Santos é composta por docentes da UEMA e do IFMA, acadêmicos do Curso de Engenharia de Pesca, Bolsistas Pibic UEMA e FAPEMA. Além disso, a pesquisa conta ainda com o apoio técnico de Bolsistas BATI/FAPEMA.
Ivandro Coêlho, professor e jornalista.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Estudo quer tornar possível o uso do bio-óleo como combustível automotivo

O Bio-óleo é uma fonte renovável de energia promissora que vem recebendo grande reconhecimento mundial por suas características combustíveis, sendo empregado em caldeiras, motores, turbinas a gás e outros ramos da indústria química. No entanto, o bio-óleo não pode ser empregado diretamente como combustível em substituição ao diesel em motores à combustão.

Essa limitação, dizem os especialistas, está associada à sua alta viscosidade, elevado nível de água e cinzas, baixo poder calorífico, instabilidade e alta corrosividade. Para que possa ser utilizado como combustível líquido ou como matéria-prima para outras aplicações, o bio-óleo precisa passar por melhoramentos. Daí a importância de estudos envolvendo esse tema, entre eles o do professor Dr.
Wendell Ferreira de La Salles, da Universidade Federal do Maranhão, e que conta com o apoio da FAPEMA por meio do Edital Universal nº 001/2014.

A pesquisa coordenada pelo professor Wendell Ferreira tem como foco principal tornar o bio-óleo obtido a partir de biomassa (especificamente aquele obtidos por pirólise) capaz de ser empregado como combustível automotivo. “Para alcançar esse objetivo, estamos apostando no uso de sistemas microemulsionados, que teriam a finalidade de promover a solubilização deste bio-óleo no óleo diesel. Na verdade, de apenas alguns constituintes presentes no bio-óleo”, explicou o professor.

Mesmo com o estudo ainda no início, os pesquisadores já conseguiram obter resultados que comprovam a viabilidade da metodologia. De acordo com Wendell Ferreira, o problema é que é preciso extrair do bio-óleo apenas os constituintes que interessam. “Não é interessante solubilizar o bio-óleo integralmente no óleo diesel, pois agindo assim traremos também os problemas associados à presença de certos constituintes que compõem o Bio-óleo”.

Há relatos na literatura de Bio-óleos que dão conta que estes foram obtidos por pirólise da biomassa com até 40% de água. Essa quantidade de água solúvel em diesel não interessa aos pesquisadores, pois isso acarretaria em uma queda no poder calorífico do combustível. Apesar das dificuldades e desafios, a pesquisa do professor Wendell Ferreira ganha cada vez mais importância nos dias atuais, em um cenário de instabilidades quanto aos combustíveis mais utilizados pelos brasileiros.

“Além de contribuir para o controle dos impactos ambientais associados ao descarte destes resíduos, o desenvolvimento de tecnologias que visem o aproveitamento de resíduos sólidos (biomassa residual) como fonte energética promove a geração indireta de energia. Uma destas possibilidades é a produção de bio-óleo por meio da pirólise rápida da biomassa”, declarou o professor.

A pesquisa conta com a participação dos professores
Kátia Simone Teixeira da Silva de La Salles, Aldaléa Lopes Brandes Marques e Edmar Pereira Marques, ambos de Departamento de Tecnologia Química da UFMA. Também atuam como colaboradores externos a professora Simoni Margareth Plentz Meneghetti, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), e o professor Alexandre Gurgel, da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
 
 
Ivandro Coêlho, professor e jornalista.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Vila Camelo: carnaval, alegria e amizade

 
 
Quem teve a felicidade de viver o melhor carnaval de rua de Chapadinha certamente ouviu falar da Vila Camelo. Irreverência e muita descontração são a marca do grupo de amigos que todos os anos se reuniam em nossa cidade para festejar a amizade e a alegria do carnaval. Tudo isso dentro de um ambiente familiar, de convivência saudável e harmoniosa entre seus membros.

A cada ano a Vila Camelo ganhava (e ainda ganha) novos adeptos. Muitos deles vindos de outras cidades pela primeira vez e que, ao chegar aqui, se encantavam com a alegria e a calorosa receptividade que recebiam do pessoal da Vila. O resultado era que todos os anos os foliões estavam de volta.   
 

 
Com o passar dos anos, o nosso carnaval mudou. A espontaneidade das ruas deu lugar ao interesse comercial. Veio a época dos trios, abadás e cordões de isolamento. Ao mesmo tempo, os idealizadores do grupo – a maioria vivendo em São Luís e outras cidades – assumiram compromissos profissionais e familiares, fazendo com que o movimento diminuísse um pouco.  

Mas se o carnaval da Chapada perdeu o brilho de antes - e se os jovens de alguns anos atrás hoje são senhores ou formam a "velha guarda" da Vila -, isso é o que menos conta. O que importa é que a amizade, a alegria e o respeito entre os foliões jamais acabou. Muito menos envelheceu. Ao contrário, a cada ano esse espírito se renova, como acontece agora no carnaval de 2015.
 
 
Neste domingo (15) a Vila Camelo vai mais uma vez mostrar sua força e seu brilho, reunindo dezenas de foliões a partir das 13h, na Casa da D. Dazinha (rua ao lado do Paraíba). Fica aqui a homenagem do blog Café Pequeno a todo o pessoal da Vila.   
Ivandro Coêlho, professor e jornalista.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Estudo avalia certificação ambiental da soja em Balsas-MA

A certificação ambiental da soja começou internacionalmente em 2007, mas na prática ainda é pouco compreendida. De acordo com estudo divulgado pela empresa de consultoria KPMG International, apenas 3% da soja produzida no mundo é certificada.

No Maranhão, esse processo teve início em 2012 e está sendo conduzido pela Fundação de Apoio ao Corredor de Exportação Norte - Fapcen, a partir da conscientização dos produtores sobre a necessidade de uma agricultura moderna e sustentável.

A iniciativa da Fapcen também chegou ao município de Balsas-MA, uma das principais cidades do agronegócio da região do Matopiba – polo agrícola responsável por 10% da produção nacional de soja e que reúne áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Isso motivou o professor
Antônio Carlos Reis de Freitas, da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), a desenvolver um projeto de pesquisa para avaliar a viabilidade da certificação ambiental da soja em Balsas.

De acordo com Antônio de Freitas, o objetivo do estudo é identificar os perfis dos produtores e níveis de conformidade deles ao padrão de certificação da Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS). A RTRS é uma entidade global com aproximadamente 150 membros em todo o mundo - incluindo Brasil, Argentina, Estados Unidos, Índia, China, Singapura e diferentes países europeus -, que visa estimular a produção sustentável de soja, por meio da cooperação e do diálogo aberto com os setores envolvidos.

Para o pesquisador, que desde 2010 está trabalhando com o tema da agricultura de baixa emissão de carbono, esse projeto é muito importante para o estado do Maranhão, uma vez que existe forte demanda ambiental pelo controle do desmatamento ilegal do bioma Cerrado, especialmente nas zonas de expansão da fronteira agrícola baseada na produção de commodities para exportação - caso da região do Matopiba, onde a cidade de Balsas está inserida.

“Com isso, os produtores de soja são estimulados a cumprir a legislação ambiental, trabalhista, a adotar boas práticas agrícolas e promover o desenvolvimento de comunidades rurais no entorno dos seus empreendimentos”, explica Antônio de Freitas, que também é diretor de pesquisa e desenvolvimento da Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Maranhão (Agerp-MA).

A coleta de dados para a pesquisa teve início em agosto de 2014, quando os pesquisadores começaram as entrevistas com os produtores da região de Balsas certificados e não certificados pelo padrão RTRS. “Contudo, necessitamos ainda ampliar nossa amostragem, a fim de identificar os gargalos que precisam ser trabalhados para aprimorar e viabilizar a certificação ambiental da soja no estado do Maranhão”, declarou o pesquisador.

A pesquisa do professor Antonio de Freitas está sendo executada pela Embrapa Cocais, em parceria com a Embrapa Soja e a UEMA, por meio do Curso de Mestrado do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Sócio-espacial e Regional (PPDSR). A Fundação de Amparo ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão – Fapema também apoia o projeto, por meio do edital Universal Nº 001/2013.
  
Ivandro Coêlho, professor e jornalista.
 
(Texto publicado na página da Fapema)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Pesquisa avalia métodos alternativos de controle de doenças em hortaliças

 
É cada vez maior a preocupação das pessoas com a contaminação nos alimentos, muitas vezes provocada pelo uso indiscriminado de pesticidas na agricultura. Isso aumenta a busca por alternativas mais nutritivas e sem substâncias tóxicas.

Ao mesmo tempo, aumenta a procura por produtos naturais no controle de doenças de plantas. É o caso das hortaliças, que em geral estão sujeitas a várias doenças, transmitidas pelos fungos ou microrganismos presentes nas sementes.

No Maranhão, no entanto, o agricultor familiar ainda utiliza de forma inadequada grande quantidade de agrotóxicos no controle de fitopatógenos das hortaliças, o que vem causando impactos ambientais e sociais em todo o estado.

Para tentar reverter esse quadro, a professora
Antonia Alice Costa Rodrigues, da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, defende o uso de alternativas viáveis e eficientes no controle de fitopatógenos, entre elas o manejo sanitário de sementes de hortaliças, a resistência genética, o tratamento com extratos vegetais, termoterapia, quimioterapia e o controle biológico.

“A utilização de diferentes alternativas de manejo ecológico pode ser importante para reduzir os impactos ambientais e sociais causados pelo atual modelo de produção agrícola baseado no uso de agroquímicos”, declarou a pesquisadora.

Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão – Fapema, a professora Antonia Alice está desenvolvendo um estudo que tem como foco principal avaliar a qualidade fitossanitária e fisiológica de sementes de pimentão, tomate, alface e quiabo.

A pesquisa pretende também avaliar métodos alternativos que promovam a redução de fitopatógenos associados a essas sementes.

“Devido à importância que tem a semente na propagação das plantas, é indispensável um controle rigoroso da qualidade das sementes comercializadas ou distribuídas, a fim de garantir a qualidade dos produtos explorados e evitar os efeitos danosos da presença de patógenos sobre a produção”, explicou a professora.

Durante a pesquisa, serão realizados testes de avaliação da qualidade sanitária e fisiológica das sementes de quiabo, tomate, alface e pimentão, obtidas no comércio e em produtores locais.

O estudo está sendo realizado nos Laboratórios de Fitopatologia e de Patologia de Sementes, pertencentes ao Núcleo de Biotecnologia Agronômica do Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA.

Além da professora Antônia Alice, também participam do trabalho outros pesquisadores da Uema, Uniceuma, CESI e PNPD.
 
Ivandro Coêlho, professor e jornalista.
 
(Este texto foi publicado também no site da Fapema)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Entendimento sobre os rótulos de brinquedos infantis é tema de estudo

A cada ano são fabricados e comercializados milhares de brinquedos diferentes no Brasil. Apesar de fazerem a alegria da garotada, os brinquedos podem se tornar perigosos, dizem os especialistas, se não forem respeitados critérios de utilização, adequação por idade e fase de desenvolvimento da criança. 

Acidentes como queimaduras, choques e intoxicações, por exemplo, são muito frequentes. Para evitá-los, as peças devem conter informações (símbolos gráficos, avisos e advertências) que garantam a saúde, a segurança, o conforto e o bem-estar das crianças. 

Mas será que os brinquedos comercializados em São Luís do Maranhão trazem todas as informações necessárias - e de forma eficiente - a seus usuários? E será que os adultos que adquirem esses brinquedos entendem essas mensagens? E mais: qual o perfil cultural desses consumidores e que tipo de influência isso acarreta na hora da compra? 

Foi partindo de questões como essas que o professor Dr. Raimundo Lopes Diniz, do Departamento de Desenho e Tecnologia da UFMA, decidiu investigar o entendimento do público consumidor de São Luís em relação aos símbolos gráficos, avisos e advertências contidas nos brinquedos voltados para crianças de zero a seis anos, levando em consideração aspectos culturais locais que interferem na escolha dos produtos. 

“Queremos compreender o meio em que ocorrem a comunicação e a percepção dessas informações, traçando um perfil do comprador e dos fatores que determinam sua tomada de decisão durante a compra”, explicou o professor Raimundo Diniz. A ideia, segundo ele, é verificar como todas essas questões podem influenciar as causas de acidentes de consumo com brinquedos. 

Para o pesquisador, os resultados do estudo irão permitir detectar e avaliar as dificuldades na comunicação. “A identificação dessas dificuldades e do grau de entendimento em relação aos símbolos gráficos, avisos e advertências em brinquedos é fundamental. A partir daí será possível estabelecer estratégias para melhorar a eficácia da comunicação e reduzir o atual número de acidentes com crianças entre zero e seis anos em São Luís”, declarou. 

Além disso, a pesquisa servirá também para orientar os compradores ludovicenses sobre a importância de adquirir apenas brinquedos certificados pelo Instituto de Metrologia e Qualidade Industrial do Maranhão – INMEQ, órgão fiscalizador no estado. O trabalho do professor Diniz tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão – FAPEMA, por meio do edital universal Nº 001/2013, e conta com a participação de vários professores e alunos do curso de Design da UFMA. 
 
Ivandro Coêlho, professor e jornalista.

(Texto produzido especialmente para o site da Fapema

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Inscrições para seletivo de mil professores temporários começam na próxima segunda

O Governo do Estado do Maranhão abre a partir de segunda-feira (26) as inscrições do processo seletivo simplificado para contratação temporária de mil professores. As inscrições são gratuitas e deverão ser feitas pelo site www.educacao.ma.gov.br até às 23h59 da próxima quinta-feira (29). Todas as informações estão disponíveis no site e no Diário Oficial do Estado.

A abertura do seletivo foi determinada pelo governador Flávio Dino durante a assinatura de seis decretos na terça-feira (20). De acordo com a secretária de Estado da Educação, Áurea Prazeres, a gestão estadual está empenhando todos os esforços para melhoria da rede estadual de ensino.

“É prioridade do governador Flávio Dino, iniciar o ano letivo, com professores em sala de aula e estudantes atendidos em todos os componentes curriculares. Além disso, o governador reajustou em 15% o salário dos professores contratados, valorizando assim, o trabalho docente,” declarou a secretária.

O processo seletivo será composto pela avaliação curricular de títulos e avaliação da experiência profissional na área de docência. Os interessados devem fazer a entrega de títulos (acompanhados da ficha de inscrição gerada na internet pelo próprio candidato) na Unidade Regional de Ensino (URE), correspondente à localidade escolhida para disputa de vaga.

Com base na demanda do último seletivo, o recebimento de títulos em São Luís ocorrerá no Centro de Convenções da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), no Campus do Bacanga. “Escolhemos o Centro de Convenções da UFMA por ser um espaço amplo e que pode receber os docentes dignamente. A categoria precisa ser tratada com respeito”, explicou o responsável pela Unidade Gestora de Atividades Meio (Ugam) da Seduc, Domingos Ferreira.

O seletivo visa atender as modalidades Ensino Médio Regular, EJA, Programa de Educação de Jovens e Adultos (Proeja) e Ensino Médio Integrado a Educação Profissional (Emiep). O regime de trabalho será de 20 horas semanais. Do número total de vagas oferecidas, 20% destinam-se às escolas de São Luís e as outras 80% serão distribuídas para o interior do estado, de acordo com as necessidades regionais. As disciplinas com maiores demandas são, respectivamente, Física, Química, Biologia e Matemática.

De acordo com o cronograma, o resultado do seletivo deverá ser divulgado no início de março, uma vez que o ano letivo de 2015 começará a partir do dia 9 de março na rede estadual de ensino.
 
(Do blog do Clodoaldo)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Uma nova cultura política



O Maranhão, ao que parece, finalmente está entrando nos trilhos. As ações iniciais do governador Flávio Dino e sua equipe são um sinal claro disso. 

Desde que assumiu o poder, Dino vem promovendo o enxugamento da máquina administrativa, ao mesmo tempo em que anuncia medidas importantes para valorizar o funcionalismo público e tornar seu governo mais transparente.

Um exemplo foram as mudanças em relação à Fundação da Memória Republicana Brasileira – que daqui pra frente será administrada por um procurador do estado e terá que “manter a função pública”. Outro exemplo: o reajuste no salário dos professores efetivos e contratados, a reforma emergencial de escolas estaduais e a realização de eleições diretas para diretor. Sem contar o esforço concentrado na reorganização do sistema de segurança, capitaneado pelo secretário Jefferson Portela.

Parece pouco, mas não é. Se considerarmos que o estado do Maranhão passou por meio século de desmandos, com absoluta confusão entre interesses públicos e privados, o que o governador Flávio Dino está fazendo agora chama a atenção.

São passos importantes não apenas para melhorar os serviços oferecidos pelo Estado, mas também para transformar a nossa cultura político-administrativa, há décadas baseada no patrimonialismo, no coronelismo e em relações estritamente pessoais.

O “choque de capitalismo” liderado por Flávio Dino tem dois objetivos: de um lado, institucionalizar as relações políticas e administrativas, erradicando o "toma lá, dá cá"; do outro, criar entre nós a cultura da meritocracia, da competitividade e das oportunidades iguais para todos, não apenas para os poucos que sempre estiveram sob a égide do poder palaciano. Enfim, modernizar o Estado, inserindo-o de vez no século 21.

Mas atenção! Acabar com o improviso, com o jeitinho e com apadrinhamento que sempre imperaram no setor público estadual e nas nossas relações políticas - e cujas consequências era um Maranhão atrasado e fora da realidade do resto do país – não é tarefa fácil. 

As reações virulentas às primeiras medidas saneadoras decretadas por Dino já dão uma pequena amostra do que elas representam. De fato, realizar faxina, cortar antigos privilégios e apontar os erros do passado causam dissabor. Exigir uma nova postura diante do Estado, em alguns casos, provoca completo desespero. 

Mas se essa nova cultura da eficiência e da seriedade no trato da coisa pública se enraizar na nossa sociedade, com certeza teremos um estado mais justo. Noutras palavras: se entre nós florescer a ideia de que a política pode ser dirigida em benefício do povo e de que os serviços públicos podem ser realizados com ética, certamente veremos um Maranhão melhor. 

Para quem estava acostumado a ver o nosso estado figurar na imprensa nacional da forma mais grotesca, mesquinha e ridícula possível – não por culpa de perseguições maquiavélicas e preconceitos de setores do sul do país, como tentaram tantas vezes nos fazer crer, mas por conta dos descalabros praticados ao longo do tempo –, resta torcer para que daqui pra frente a gente possa ver o Maranhão tendo o destaque que merece. 

E mais: torcer para que as pessoas possam andar de cabeça erguida. Desfrutar das riquezas e potencialidades que o estado produz e que até pouco tempo serviam apenas para custear os banquetes palacianos, regados a salmões, lagostas e outras iguarias dignas dos melhores salões e cassinos mundo afora. Se isso ocorrer, será esse certamente o grande legado do governo Flávio Dino.
 
Ivandro Coêlho, professor e jornalista