segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Entendimento sobre os rótulos de brinquedos infantis é tema de estudo

A cada ano são fabricados e comercializados milhares de brinquedos diferentes no Brasil. Apesar de fazerem a alegria da garotada, os brinquedos podem se tornar perigosos, dizem os especialistas, se não forem respeitados critérios de utilização, adequação por idade e fase de desenvolvimento da criança. 

Acidentes como queimaduras, choques e intoxicações, por exemplo, são muito frequentes. Para evitá-los, as peças devem conter informações (símbolos gráficos, avisos e advertências) que garantam a saúde, a segurança, o conforto e o bem-estar das crianças. 

Mas será que os brinquedos comercializados em São Luís do Maranhão trazem todas as informações necessárias - e de forma eficiente - a seus usuários? E será que os adultos que adquirem esses brinquedos entendem essas mensagens? E mais: qual o perfil cultural desses consumidores e que tipo de influência isso acarreta na hora da compra? 

Foi partindo de questões como essas que o professor Dr. Raimundo Lopes Diniz, do Departamento de Desenho e Tecnologia da UFMA, decidiu investigar o entendimento do público consumidor de São Luís em relação aos símbolos gráficos, avisos e advertências contidas nos brinquedos voltados para crianças de zero a seis anos, levando em consideração aspectos culturais locais que interferem na escolha dos produtos. 

“Queremos compreender o meio em que ocorrem a comunicação e a percepção dessas informações, traçando um perfil do comprador e dos fatores que determinam sua tomada de decisão durante a compra”, explicou o professor Raimundo Diniz. A ideia, segundo ele, é verificar como todas essas questões podem influenciar as causas de acidentes de consumo com brinquedos. 

Para o pesquisador, os resultados do estudo irão permitir detectar e avaliar as dificuldades na comunicação. “A identificação dessas dificuldades e do grau de entendimento em relação aos símbolos gráficos, avisos e advertências em brinquedos é fundamental. A partir daí será possível estabelecer estratégias para melhorar a eficácia da comunicação e reduzir o atual número de acidentes com crianças entre zero e seis anos em São Luís”, declarou. 

Além disso, a pesquisa servirá também para orientar os compradores ludovicenses sobre a importância de adquirir apenas brinquedos certificados pelo Instituto de Metrologia e Qualidade Industrial do Maranhão – INMEQ, órgão fiscalizador no estado. O trabalho do professor Diniz tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão – FAPEMA, por meio do edital universal Nº 001/2013, e conta com a participação de vários professores e alunos do curso de Design da UFMA. 
 
Ivandro Coêlho, professor e jornalista.

(Texto produzido especialmente para o site da Fapema

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Inscrições para seletivo de mil professores temporários começam na próxima segunda

O Governo do Estado do Maranhão abre a partir de segunda-feira (26) as inscrições do processo seletivo simplificado para contratação temporária de mil professores. As inscrições são gratuitas e deverão ser feitas pelo site www.educacao.ma.gov.br até às 23h59 da próxima quinta-feira (29). Todas as informações estão disponíveis no site e no Diário Oficial do Estado.

A abertura do seletivo foi determinada pelo governador Flávio Dino durante a assinatura de seis decretos na terça-feira (20). De acordo com a secretária de Estado da Educação, Áurea Prazeres, a gestão estadual está empenhando todos os esforços para melhoria da rede estadual de ensino.

“É prioridade do governador Flávio Dino, iniciar o ano letivo, com professores em sala de aula e estudantes atendidos em todos os componentes curriculares. Além disso, o governador reajustou em 15% o salário dos professores contratados, valorizando assim, o trabalho docente,” declarou a secretária.

O processo seletivo será composto pela avaliação curricular de títulos e avaliação da experiência profissional na área de docência. Os interessados devem fazer a entrega de títulos (acompanhados da ficha de inscrição gerada na internet pelo próprio candidato) na Unidade Regional de Ensino (URE), correspondente à localidade escolhida para disputa de vaga.

Com base na demanda do último seletivo, o recebimento de títulos em São Luís ocorrerá no Centro de Convenções da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), no Campus do Bacanga. “Escolhemos o Centro de Convenções da UFMA por ser um espaço amplo e que pode receber os docentes dignamente. A categoria precisa ser tratada com respeito”, explicou o responsável pela Unidade Gestora de Atividades Meio (Ugam) da Seduc, Domingos Ferreira.

O seletivo visa atender as modalidades Ensino Médio Regular, EJA, Programa de Educação de Jovens e Adultos (Proeja) e Ensino Médio Integrado a Educação Profissional (Emiep). O regime de trabalho será de 20 horas semanais. Do número total de vagas oferecidas, 20% destinam-se às escolas de São Luís e as outras 80% serão distribuídas para o interior do estado, de acordo com as necessidades regionais. As disciplinas com maiores demandas são, respectivamente, Física, Química, Biologia e Matemática.

De acordo com o cronograma, o resultado do seletivo deverá ser divulgado no início de março, uma vez que o ano letivo de 2015 começará a partir do dia 9 de março na rede estadual de ensino.
 
(Do blog do Clodoaldo)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Uma nova cultura política



O Maranhão, ao que parece, finalmente está entrando nos trilhos. As ações iniciais do governador Flávio Dino e sua equipe são um sinal claro disso. 

Desde que assumiu o poder, Dino vem promovendo o enxugamento da máquina administrativa, ao mesmo tempo em que anuncia medidas importantes para valorizar o funcionalismo público e tornar seu governo mais transparente.

Um exemplo foram as mudanças em relação à Fundação da Memória Republicana Brasileira – que daqui pra frente será administrada por um procurador do estado e terá que “manter a função pública”. Outro exemplo: o reajuste no salário dos professores efetivos e contratados, a reforma emergencial de escolas estaduais e a realização de eleições diretas para diretor. Sem contar o esforço concentrado na reorganização do sistema de segurança, capitaneado pelo secretário Jefferson Portela.

Parece pouco, mas não é. Se considerarmos que o estado do Maranhão passou por meio século de desmandos, com absoluta confusão entre interesses públicos e privados, o que o governador Flávio Dino está fazendo agora chama a atenção.

São passos importantes não apenas para melhorar os serviços oferecidos pelo Estado, mas também para transformar a nossa cultura político-administrativa, há décadas baseada no patrimonialismo, no coronelismo e em relações estritamente pessoais.

O “choque de capitalismo” liderado por Flávio Dino tem dois objetivos: de um lado, institucionalizar as relações políticas e administrativas, erradicando o "toma lá, dá cá"; do outro, criar entre nós a cultura da meritocracia, da competitividade e das oportunidades iguais para todos, não apenas para os poucos que sempre estiveram sob a égide do poder palaciano. Enfim, modernizar o Estado, inserindo-o de vez no século 21.

Mas atenção! Acabar com o improviso, com o jeitinho e com apadrinhamento que sempre imperaram no setor público estadual e nas nossas relações políticas - e cujas consequências era um Maranhão atrasado e fora da realidade do resto do país – não é tarefa fácil. 

As reações virulentas às primeiras medidas saneadoras decretadas por Dino já dão uma pequena amostra do que elas representam. De fato, realizar faxina, cortar antigos privilégios e apontar os erros do passado causam dissabor. Exigir uma nova postura diante do Estado, em alguns casos, provoca completo desespero. 

Mas se essa nova cultura da eficiência e da seriedade no trato da coisa pública se enraizar na nossa sociedade, com certeza teremos um estado mais justo. Noutras palavras: se entre nós florescer a ideia de que a política pode ser dirigida em benefício do povo e de que os serviços públicos podem ser realizados com ética, certamente veremos um Maranhão melhor. 

Para quem estava acostumado a ver o nosso estado figurar na imprensa nacional da forma mais grotesca, mesquinha e ridícula possível – não por culpa de perseguições maquiavélicas e preconceitos de setores do sul do país, como tentaram tantas vezes nos fazer crer, mas por conta dos descalabros praticados ao longo do tempo –, resta torcer para que daqui pra frente a gente possa ver o Maranhão tendo o destaque que merece. 

E mais: torcer para que as pessoas possam andar de cabeça erguida. Desfrutar das riquezas e potencialidades que o estado produz e que até pouco tempo serviam apenas para custear os banquetes palacianos, regados a salmões, lagostas e outras iguarias dignas dos melhores salões e cassinos mundo afora. Se isso ocorrer, será esse certamente o grande legado do governo Flávio Dino.
 
Ivandro Coêlho, professor e jornalista

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Capacidade de inovação e crescimento das pequenas e médias empresas maranhenses é foco de estudo


As pequenas e médias empresas são fundamentais para o crescimento do país. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estática (IBGE), elas representam 20% do Produto Interno Bruto, e são responsáveis por 60% dos 94 milhões de empregos no território nacional. No Maranhão, as PMEs representam mais de 95% dos estabelecimentos formais, e geram mais de 41% dos empregos.

Apesar de sua importância para a economia, muitas dessas empresas não permanecem no mercado. “O ambiente econômico turbulento no qual estão inseridas dificulta o seu crescimento e a sua sobrevivência ao longo do tempo”, explica o professor Leonardo Leocádio Coelho de Souza, do Centro de Ciências Sociais, Saúde e Tecnologia (CCSST), da Universidade Federal do Maranhão – Campus de Imperatriz.

Para sobreviverem nesse cenário instável, as pequenas e médias empresas têm que desenvolver estratégias competitivas baseadas na profissionalização do negócio, a fim de alcançar maior produtividade, qualidade e consequente redução de custos, visando atender às necessidades e expectativas dos clientes.

Mas como conseguir isso? O segredo do sucesso, segundo Leonardo de Souza, não está apenas nos excelentes produtos, mas no conhecimento, que permite à empresa inovar e criar bons produtos. “Isto requer comunicação, envolvimento e compromisso com o uso do conhecimento disponível para facilitar a inovação”, argumenta o professor.

Esse é o foco central de um estudo coordenado pelo professor Leonardo e que conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão - FAPEMA, por meio do Edital Universal (Nº. 001/2014). A ideia é desenvolver uma metodologia que permita diagnosticar e avaliar a capacidade de inovação e de crescimento das pequenas e médias empresas maranhenses, através da identificação e/ou implementação das práticas de gestão do conhecimento.

A pesquisa teve início em 2010 com o projeto Dynamic SME, financiado pela União Europeia, com o propósito de analisar as capacidades de inovação e crescimento de pequenas e médias empresas da Alemanha, Espanha, Argentina e Brasil. Posteriormente, o Grupo de Pesquisa Inovar da UFMA, Campus Imperatriz, deu continuidade aos estudos, passando a investigar a capacidade de crescimento e inovação das PMEs maranhenses.

“Atualmente, o estudo encontra-se na fase de identificação de práticas e ferramentas de gestão do conhecimento que possam auxiliar essas empresas a potencializarem suas competências e capacidades e, assim, aprenderem a crescer e a inovar de forma sustentada”, declarou o pesquisador.

Além do professor Leonardo de Souza, também participam do projeto a pesquisadora Jaqueline Rossato e alunos dos cursos de Direito e Ciências Contábeis da UFMA.

Ivandro Coêlho, professor e jornalista.

(Texto publicado especialmente para o site da Fapema


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

MEC divulga avaliação sobre instituições de ensino superior no Maranhão

O Ministério das Educação divulgou, semana passada, o resultado da avaliação anual de faculdades, centros universitários e universidades, levando em consideração o IGC (Índice Geral de Cursos), que abrange avaliação, titulação de professores, ENADE, instalações físicas, entre outros itens obrigatórios. 

As notas variam de 1 a 5. Quem obtém avaliação dois, por exemplo, fica sob supervisão do MEC, não podendo aumentar o número de vagas dos cursos e até cancelamento e ainda tem que apresentar de trimestralmente relatórios de melhorias. Veja abaixo a avaliação das instituições maranhenses.
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(Blog do Jorge Vieira)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Calma e elegância!

 
Qualquer análise sobre a administração Flávio Dino corre o risco de parecer mero chororô de ressentidos ou simples empolgação de quem ainda não tem a menor ideia do que é e como funciona o poder na nossa província.

A razão disso é simples: o governo mal começou. É preciso dar tempo para que a turma do DCE aprenda a pilotar a pesada máquina administrativa. Os rottweilers do outro lado da ponte precisam, portanto, abrandar o latido. Enxergar fumaça onde não há fogo agora é uma tolice. Assim como fingir espanto diante de coisas que são café pequeno perto de meio século de lambanças, não é mesmo?

Por outro lado, os novos palacianos têm que esfriar o sangue. Críticas sempre vão existir. Boas e ruins. Sinceras e maliciosas. É preciso saber conviver com elas. Algumas merecem respostas; outras, nem tanto. Também não adianta dourar a pílula e achar “que daqui pra frente tudo vai ser diferente”, como na canção de Roberto. Acreditar piamente nisso é ingenuidade, burrice ou malícia. Ou as três coisas juntas.

Não esqueçam que algumas estruturas de poder ainda permanecem intactas. E que uma cultura política como a nossa não se transforma da noite para o dia. O importante agora é pôr os pés no chão. Encarar a vida política como ela é: com seus erros e acertos. Avanços, limites e contradições. Do contrário, pode ser que daqui a algum tempo elas – as contradições - insistam em bater à porta.

Nessa hora, é preciso estar preparado. Por isso, senhores, em vez de ficar brincando de cabo de guerra midiático - salmões de um lado, lagostas de outro -, melhor talvez seja tocar o barco. Organizar a casa. Manter o link com a sociedade. É isso que interessa. É isso que todos esperam. O resto é folclore.
Ivandro Coêlho, professor e jornalista. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Piso salarial de professores terá aumento de 13,01% e irá a R$ 1.917,78




Do G1, em São Paulo.

O governo federal vai reajustar o piso nacional de professores em 13,01%, e o valor passará a ser de R$ 1.917,78 para docentes de escolas públicas com 40 horas de trabalho semanais. O valor anterior era de R$ 1.697,39. O novo piso entrou em vigor nesta terça-feira (6). Os estados e municípios precisam se adequar para pagar o novo salário aos professores já em fevereiro.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

O Maranhão e a baboseira intelectual


O capitalismo finalmente vai chegar ao Maranhão. É o que prometeu o comunista Flávio Dino. À parte a ironia do destino, o que isso significa? Em tese, “modernizar” as relações políticas e de produção. De agora em diante, o patrimonialismo, o apadrinhamento e a concentração de poder nas mãos de uma única família ou grupo político vão desaparecer. Será? É o que vamos ver.

Mas além da roça de toco e das casas de taipa, da tal “oligarquia” e do IDH negativo, é preciso acabar também com outro mal que assola o nosso Estado: a estupidez intelectual. Símbolo maior do nosso atraso, ela está presente de forma marcante nas escolas, universidades, tribunais e, principalmente, na mídia - especialmente a impressa. Esta, como veremos, transformou-se num repositório de inutilidades, num esgoto a céu aberto onde as vitórias-régias do colunismo local despejam semanalmente seus dejetos.

No jornal “O Estado do Maranhão” do último domingo encontrei dois artigos que são, a meu ver, bons exemplos da nossa jequice intelectual. Vamos a eles. O primeiro, intitulado “Ano novo sem violência”, tem a assinatura do advogado José Carlos Sousa Silva. Ao falar sobre o aumento da violência na atualidade, José Carlos desfia um rosário de frases feitas e lugares comuns que deixa o leitor em dúvida se foi mesmo o professor universitário e membro da Academia Maranhense de Letras que escreveu o texto ou se foi um colegial treinando para o Exame Nacional do Ensino Médio.

Logo no início do artigo, o leitor é brindado com esta pérola do pensamento bocó tupiniquim: “As pessoas normais veem a vida humana como o bem de maior valor. Fazem de tudo para protegê-la. Têm por ela um sentimento do mais profundo respeito. Têm assim Deus no coração, no raciocínio e no comportamento (ação ou omissão)”. Uau! Que maravilha! Confesso que senti pena dos alunos desse senhor. Mas não pense você que a coisa ficou só nisso! 

Depois de fazer um diagnóstico pra lá de batido sobre a violência e - como não poderia deixar de ser - citar Focault, o doutor Silva arrisca um trocadilho de dar dó: “Há milhões de pessoas em nosso planeta lutando apenas para existir, enquanto outras existem apenas para matar...” Ai, ai, ai...! Pergunto: é ou não é de morte esse trecho? Ao final, José Carlos e Silva conclama o leitor para juntos comandarem “um ano novo com resultados benéficos para todos. É importante, para isso, que cada homem e cada mulher sejam realmente humanos”. Meu Jesus Cristinho! Em 2015, só tenho um pedido: Senhor, livrai-nos da prosa adocicada e piegas de José Carlos Sousa Silva. 

Mas, como diz o ditado, “não há nada tão ruim que não possa ficar pior”. Foi essa a sensação que eu tive ao ler outro texto na página seguinte do mesmo jornal, desta vez assinado por outro medalhão: Joaquim Haickel. Já tinha lido alguma coisa breve sobre essa figura no livro “Diário de um Magro”, de Mário Prata. Pensei, de forma ingênua, que Haickel tivesse alguma importância literária. Puro engano. Sua prosa – a de Joaquim, é claro! – é um amontoado de bobagens misturadas a ecos de teorias mal digeridas e frases soltas. Tudo isso num estilo caótico, pomposo e prolixo. Não há nada na escrita desse sujeito que não cheire a mofo. 

Se você discorda do que eu digo, veja algumas partes do texto desse gênio das letras maranhenses, e que, não por acaso, também é membro da AML, da Academia Imperatrizense de Letras e do IHGM. O título do artigo de Haickel já é sintomático: “Que não se reclamem do caos” (talvez aqui o nobre escritor e empresário estivesse pensando nas possíveis reações do leitor ao seu próprio texto). Mas como não reagir diante de coisas desse tipo? “Quando escrevo, costumo pensar que existe o mundo e existe a palavra. Existe o nosso relacionamento com o mundo e a nossa experiência com a palavra”. Eureca! Joaquim Haickel acaba de descobrir a linguagem.  

Não satisfeito, Haickel continua sua descida sem volta pelo abismo verbal e de ideias em que se meteu. Veja: “Na página em branco, na tela do computador, diante de mim está o caos do mundo e a ausência de palavra, que vou tentando ordenar, operando, deste modo, uma passagem, do vazio e a desordem, para o ordenamento de meus pensamentos e de minhas ideias”. Dá pra imaginar no que essa confusão mental iria dar, não é mesmo? Após regurgitar fragmentos de pensamentos filosóficos e bíblicos sobre o caos, nosso caótico colunista afirma que acredita “fervorosamente em todo aquele que é otimista e que encara os desafios e as dificuldades como um degrau a ser conquistado”. Não é um achado? Um primor de pensamento?


Ao final, Joaquim Haickel diz que daqui pra frente sua participação no jornal será menos frequente. Já estava ficando animado, quando ele dispara: “Mas sempre que tiver algo que eu acredite importante ser dito, voltarei aqui para conversar com você”. Como se vê, o problema do Maranhão não é só o patrimonialismo ou a corrupção. O maior problema do Maranhão talvez seja a baboseira intelectual. É ela que transforma embusteiros em semideuses, que eleva à categoria de imortais verdadeiras múmias da literatura e do jornalismo. Não basta, portanto, modernizar a política. É preciso também modernizar a nossa cultura. Do contrário, continuaremos na Idade Média. 
Ivandro Coêlho, professor e jornalista.